quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O amor que for


Blog abandonado, sinal de que o fim de ano tá um corre-corre danado, como diria Rita Lee. Por isso, nada melhor do que retomar a conversa aos poucos, começando com a reprodução de um texto bacana da jornalista Daniela Arrais, publicado na Gloss deste mês e no blog que ela mantém - e vale a pena seguir! -, O Dont Touch My Moleskine. Foto também tirada de lá, confere aí:


A gente passa a vida com medo. Medo de morrer, de ficar tempo demais no emprego errado, de não ter o colo dos amigos quando a gente mais precisa, de não fazer as viagens dos sonhos, de não conseguir comprar a casa própria, de não encontrar alguém para casar e ter filhos.

De todos os medos, o que mais me aflige é o de não conseguir amar. Porque vamos combinar: depois de um, dois, três corações partidos, fica fácil pensar que nada vai dar certo, que as relações viram DRs intermináveis que culminam em mágoas quase eternas.

Nos livros, nos filmes, nas músicas que a gente passa o tempo todo lendo, vendo e ouvindo, todo mundo sofre por amor. E a gente acha lindo, se identifica, quer viver aquela avalanche de paixão, de tesão, de loucura.

Quando chega a vida real, ah aí, não: todo mundo quer o conto de fadas. Quer encontrar no outro a imagem da perfeição, alguém sem um passado que diga muito, alguém que mal tenha um presente ( só se for com você) e cujo futuro esteja inevitavelmente atrelado ao seu e comece a ser planejado imediatamente.

Não, gente, menos! É preciso entender que a gente é a soma de tudo o que viveu, principalmente de tudo o que viveu com outras pessoas. São as histórias de amor que deixam a gente do jeito que é: às vezes mais madura, às vezes mais medrosa, às vezes mais otimista para buscar de novo, mas sempre diferente e mais experiente.

O que a gente é hoje é o que importa. A gente faz o que pode _e, na maioria das vezes, é de todo o coração.

Para o fim do ano que se aproxima, eu e 90% da população já começamos a fazer um balanço do que se passou. E cada vez mais acredito que os pedidos-clichês são os que a gente realmente necessita: paz, saúde e amor. Tudo para aguentar os furações. Afinal, por mais que o medo insista em se instalar, ainda vale mais uma paixão louca do que um coração congelado.