
Engraçado como o mundo avança e as pessoas- aparentemente- não. Falo isso porque ando pasma com a falta de educação alheia. Há dois dias me comentaram uma saia justa diante de uma parada de ônibus lotada, em frente a um shopping. Dezenas de pessoas aguardavam a condução, no final da noite, perfiladas para organizar a entrada no ônibus e driblar o frio, quando dois marmanjos atravessam a rua correndo e, na maior cara de pau, furam a fila assim que o ônibus se aproxima, sem mais nem menos, apesar das reclamações dos que há tempos ali aguardavam.
O interlocutor me comentou ainda que os dois nem se intimidaram diante das reclamações e ostentavam um ar de superioridade, do tipo “como sou esperto” e nem tchuns para as caras de desaprovação, para os idosos e mulheres que aguardavam na fila. Causa indignação sim, mas acontece, pensei. Afinal, educação costuma ser ensinada em casa e independe de situação econômica ou classe social.
Ontem, um dia depois da conversa sobre a dupla de mal-educados, tive a infeliz ideia de dar uma passada rápida no supermercado, bem na hora do rush dos carrinhos e gôndolas. Como meus objetivos eram apenas uma garrafa de água, queijo e um quarteto de papel higiênico, peguei um carrinho pequeno, respirei fundo e segui em frente. A menos de 200 metros da largada encontrei uma amiga que não via há tempos e, apesar de estar me sentindo um trapo de cansada e sem o menor ânimo para conversar, me senti na obrigação de parar por alguns minutos.
Como meu carrinho já estava com a garrafa de água, tratei de estacioná-lo momentaneamente na entrada de um corredor, para não atrapalhar a passagem dos demais condutores, beijei minha amiga e em razão de 2 minutos, no máximo, voltei para resgatá-lo. Qual a surpresa? Alguém havia roubado o carrinho e, pasmem, deixado a garrafa no chão, exatamente onde eu havia estacionado!
Gente, não tem explicação plausível para alguém se sentir no direito de tirar as compras de outra pessoa e simplesmente afanar um carrinho de supermercado só porque, aparentemente, aquelas compras pareciam não ter dono. E se eu só tivesse ido pegar um produto na gôndola e estivesse no mesmo corredor? E se tivesse tido uma dor de barriga no meio das compras e largado o carrinho para ir ao banheiro? E se, como ocorreu, tivesse educadamente estacionado o carrinho para não atrapalhar os outros enquanto dava um abraço numa amiga e voltado rapidamente?
O supermercado estava lotado, eu estava cansada ao cubo e não tive forças para reclamar. E para quem reclamar diante de uma situação dessas? Mas, no caminho de casa fiquei pensando no que aquele roubo velado significava.
Na manhã seguinte, ao aguardar pelo elevador no prédio onde trabalho, passei por mais uma. Uma mulher simplesmente ignorou a fila do elevador e entrou assim que a porta abriu, na maior cara dura, na frente de dezenas de pessoas. Respirei fundo e não me aguentei, deixei claro que tinha uma fila atrás dela, mas não adiantou nada. Parece que algumas pessoas são blindadas e não se intimidam diante do constrangimento.