quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Consciência queimando?


Coincidências ou fluxo das coisas, enquanto ambientalistas do mundo inteiro discutem as mudanças climáticas na conferência da Dinamarca, os gaúchos passam frio em pleno dezembro e as chuvas matam em São Paulo, para falar das realidades mais próximas a mim. Pois hoje leio que um estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado lá em Copenhague afirma que o aquecimento global segue avançando e que a ultima década já é a mais quente da história.

Disso, não tenho dúvidas, e nem preciso ser especialista em meio ambiente para constatar que o sol está queimando mais, que o câncer de pele é sim um dos males mais silenciosos do Planeta e que um revertério climático de conseqüências continentais está em plena expansão. As chuvas não vêm mais de passagem, alagam cidades. Os ventos não são mais de refresco, mas sim de devastidão. As geleiras não mais protegem por tanto tempo devido à pressa do derretimento. O sol não apenas acelera a fotossíntese, fortalece ossos e nos dá energia, mas queima como nunca antes e transforma paisagens tropicais em novos e áridos desertos.

Os dados divulgados pelo mundo através da OMM também dão conta de que o ano de 2009 será, provavelmente, o quinto mais quente já visto na Terra, com temperatura 0,44ºC superior à média mundial dos últimos 30 anos, cerca de 14ºC a mais. Como exemplo mais próximo, esse ano já foi considerado o de outonos mais quentes da história do Sul do Brasil e de temperaturas acima de 40ºC na região central da Argentina, fatos antes inimagináveis, certo? Mas em nações mais distantes, como a Índia, houve ainda registro de onda de calor causando morte de centenas de pessoas em maio e a China registrou temperaturas de verão carioca no mesmo mês.

Claro que há explicação para tudo isso e a ação do El Nino (aquecimento anormal das águas equatoriais do Oceano Pacífico) é uma delas. Mas que a ação do homem contra a natureza tem colaborado negativamente para essas estatísticas, não há duvidas.

De certo é que ninguém pode se dizer surpreso diante das estatísticas de que o aquecimento tem superado, em muito, o que esperaríamos dos fatores naturais. Resta fazermos um exame de consciência e pensarmos o que devemos fazer individualmente para minimizar os danos causados à natureza e o que podemos esperar e cobrar dos nossos políticos, em pleno ano pré-eleitoral, nesse sentido. A consciência, além de pesar, começa agora a queimar...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Flashbacks


Já tiveram a sensação de ter perdido o timming em determinado momento da vida ou de passar por uma sensação de flashback? Não é dejavú não, é estar em algum lugar, fazendo determinada coisa, com determinadas pessoas e se lembrar de situação semelhante vivenciada anteriormente.

Dia desses tive uma tremenda sensação de flashback automática. Bum, lá estava eu, em determinado lugar e várias sensações me vieram à tona. Lembrei do dia, da roupa que eu usava, das pessoas que me acompanhavam e me deu uma certa melancolia. Não do que passou, porque quem vive de passado é museu, mas uma mistura de inconformidade pelo tempo que passou tão rápido e de alegria por ter vencido mais uma etapa e estar hoje levando a vida da forma que estou.

Não é clichê dizer que a vida é feita de escolhas e que elas determinam a nossa história. Mas quem já não se pegou pensando em como seria se tivéssemos tomado a decisão x, ao invés da y? Se tivéssemos deixado mais ou até menos a cargo do destino?

É engraçado, porém intrigante, pensar nisso, mas acredito que só pessoas muito metódicas conseguem traçar uma trajetória pré-determinada. Algo como estudar, casar, ter filhos, comprar apartamento, tudo com tempo calculado, com ações e riscos milimétricamente estudados. Eu, que não consigo nem planejar direito o que vou fazer amanhã, definitivamente não sou dessas pessoas e, cá pra nós, não as invejo nem um pouco.

Tem coisa melhor do que fechar os olhos e poder lembrar de uma grande bobagem cometida, de um beijo roubado, de uma compra que não deu certo, de uns porres que deveriam ser definitivamente apagados da memória? De um abraço apertado, de algum medo superado? Viver é isso, é ter do que se lembrar, do que chorar, do que rir copiosamente, é se envergonhar, superar obstáculos e ter, apesar disso tudo, leveza de espírito. Planejar, nem sempre, significa vivenciar.

Algumas pulgas sempre estarão pulando atrás das nossas orelhas, umas darão uma picada um pouco mais dolorida do que as outras, coçarão um pouco mais, mas não deixarão marcas insuperáveis. Somatizar ou não as lembranças, ficar paralisado por elas ou deixar que venham e sumam na mesma velocidade é que é a decisão de cada um

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Império das @rrob@s



Engraçado, ia mesmo escrever sobre a minha tardia rendição ao twitter, apesar de longa resistência, e cai em minhas mãos, ou melhor, em minha tela, um texto do Juremir Machado da Silva, jornalista gaúcho, com comentários a respeito.

Engraçado como a gente se envolve com essas coisas e, quando vê, não tem mais volta. Há, inclusive, uma certa cobrança contra a exclusão individual das redes de relacionamento. Eu, sinceramente, acho um pouco chato ficar abrindo orkut, facebook, twitter, myspace a toda hora, mas não nego que chega às vezes a ser bem divertido. Sem contar as facilidades de se relacionar e até a economia de tempo que se perde ao adotar a comunicação via clic do mouse.

Para as questões de trabalho são mecanismos extremamente eficientes e, no meu caso, funcionam exatamente como mais uma ferramenta, mais um meio de comunicação para vender meu peixe. Também são ótimos instrumentos para atualização de informações em um piscar de olhos.

A instantaneidade não tem mais volta, isso é fato! Agora, o que justifica milhares de pessoas perseguirem um artista, um comunicador, uma celebridade esporádica em todas essas redes? Será a necessidade de se sentirem próximos dos ídolos ou das personalidades que tanto admiram? Suprirem carências, necessidade de estar sempre up to date?

O texto do Juremir fala que o Luciano Huck e o William Bonner são os campeões de seguidores do twitter, com milhões de twitteiros online, que acompanham qualquer coisa que eles se dignem a postar. Ai, sei lá, isso me incomoda um pouco. Preferi adicionar os veículos de comunicação, pra ficar em dia com as manchetes, e os amigos chegados, pra ter mais uma forma de contato direto. Não me imagino adicionando a Preta Gil ou a Galisteu, por exemplo – nada pessoal contra elas! O que tenho pra falar com quem nem sonho em conhecer?

Por mais ferramentas que apareçam, a impressão que me dá é de que as pessoas estão ficando tão momentâneas quanto elas. Pá, trocam de canal, de site, de contato em um simples clic. Lêem só as manchetes, os títulos, as duas primeiras linhas em seus celulares, notebooks, no trânsito, em meio a uma reunião, na sala de aula, no trabalho.

Será o fim do papo cabeça, das discussões filosóficas? Ou um sinal de que, a partir de agora, tudo será esporádico ou rápido? Namoros, empregos, compromissos? Isso tudo me leva a achar que estamos é vivenciando a redenção do império das @rrob@s, isso sim!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um salve ao Massaranduba!

Não costumo ser preconceituosa e acho que homem tem, sim, que se cuidar. Cara desleixado até pode ser charmoso, mas desde que eventualmente. Os metrossexuais estão aí, provando que cuidar do corpo e passar um cremezinho vez que outra, sem exageros, não fere a masculinidade de ninguém. Só que ultimamente tenho achado que as coisas estão passando um pouco dos limites.

Falo isso porque reparei que durante minhas três últimas idas à manicure tive pelo menos um colega masculino de cadeira. É, e de diferentes idades. Okay, até aí tudo bem. Cara ir à manicure para cortar as unhas e lixá-las, acho até legal, já que essas não são das tarefas mais agradáveis para serem feitas by yourself. Só que, devo confessar, acho de última homem que vai à manicure ajeitar pés e mãos e insiste em passar uma basezinha na unha. Pronto, falei! Acho horrendo!

Comecei a reparar nos tipos que adotam essa prática e me apavorei. Vi motorista de caminhão, taxista, frentista de posto de gasolina (juuuuro!), advogado, garçom, senhor de cabeça branca, etc. Isso prova que os homens estão preocupados, ainda bem, em manter a higiene e o asseio, mas, cá pra nós, não me imagino sendo tocada por uma mão com base na unha! Ai, não dá!

Pode parecer preconceito, não gostaria que fosse, mas não acho bacana. Já pensou daqui a pouco você trocando dicas sobre marcas e durabilidade de esmaltes com o seu próprio namorado? Bah, não dá!

Meu próprio comentário me fez lembrar daquele personagem truculento do Casseta e Planeta, o Massaranduba, que fazia questionamentos àqueles que suspeitavam da sua masculinidade, lembram? O bordão do personagem era “Você está obviamente duvidando da minha masculinidade?” Brincadeiras à parte, o Massaranduba com dois “s” pode até ser um pouco radical até demais, assim como minha opinião sobre a unha masculina pintada, mas o que seria do branco se todo mundo preferisse o pretinho básico, certo?

Por isso, graças a Deus, agradeço a existência do meio termo! Homens que se cuidam, se importam, gostam de asseio, perfume, roupas da moda, pero no mucho. Ninguém aqui gostaria de ter ao seu lado um verdadeiro homem das cavernas, mas pergunte a pelo menos três mulheres o que elas acham daqueles que pintam as unhas e tenho certeza de que a resposta não será muito diferente da minha humilde opinião. Um salve ao meio termo!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Má educação


A falta de educação alheia tem me incomodado a ponto de originar esse post. Não falo da má educação no trânsito, essa sim renderia um livro, com capítulos destinados aos que cortam os outros, aos que jogam lixo pela janela, aos que tascam luz alta na cara da gente, aos que não respeitam a faixa de segurança, etc.

Falo especificamente da falta de educação dos vizinhos em geral, aquelas pessoas com as quais não temos contato quase nunca, mas que dividem conosco um espaço em comum, seja na área do prédio onde moramos ou trabalhamos. Na minha opinião, esse tipo de relação tem tudo para ser pautada pela cordialidade, porém, nem sempre isso acontece.

Os exemplos começam no meu prédio, onde esses tempos alguém teve a cara de pau de chegar de madrugada e fazer suas necessidades na escada. É, não é piada, é a mais pura verdade. O pior é que eu havia sido a última pessoa a ser vista chegando pelo porteiro, o que fez gerar sobre mim a desconfiança da incontinência escatológica. Ah, faça-me o favor!

Explicações à parte, telefonemas e conversas pessoais com a síndica minimizaram a dita suspeita, pelo menos eu acho, e a história ficou por isso mesmo, com a escada interditada até a chegada da zeladora, munida de rodo e água sanitária. Eu mesma já fui personagem principal, certa vez, de uma carta do vizinho de baixo à síndica, reclamando do barulho que vinha do meu apartamento à noite. O vizinho reclamava que, diariamente, entre meia-noite e 4h da manhã, ouvia barulho vindo lá de casa... como se eu ficasse sempre acordada até essa hora! Ok, não entendi porque o vizinho - um idoso que eu nem conheço, diga-se de passagem - não veio falar diretamente comigo, mas tudo bem, maneirei no barulho, quando passava da hora de dormir, e há quase um ano não recebo nenhuma advertência. Outra situação que me tira do sério é alguém me ver cheia de sacolas e ser incapaz de segurar a porta para que eu entre. Enfim, regrinhas básicas da boa convivência quem, se seguidas à risca, fariam a vida da gente menos tumultuada.

Pois no corredor onde fica o meu trabalho, acontecem, vez que outra, algumas situações que beiram à falta de educação extrema. Os banheiros ficam no corredor e, volta e meia, quando estou prestes a entrar no dito cujo, alguém vai lá e pá, bate a porta rapidamente na minha cara. Não sei se foi aberta a temporada de caça aos mijões, mas não entendo o que ocasiona a corrida para ver quem entra primeiro no banheiro. Na boa, não entendo. Gente que fuma em banheiro coletivo, então, pra mim comete um dos mais graves erros de educação.

Mas o que mais tem me chamado atenção é a falta de cordialidade e, consequentemente, de educação das pessoas que simplesmente não sabem o significado de um bom dia, de um por favor ou de um muito obrigada. Ora, passamos mais tempo nos locais de trabalho do que gostaríamos, vemos diariamente os rostos das mesmas pessoas e acabamos nos familiarizando com aqueles que estão na mesma condição do que nós, fazendo serão, agüentando manifestante no corredor, filas para ir ao banheiro, etc. Por isso, não entendo o que faz alguém simplesmente não dar um sorriso, responder a uma saudação ou agradecer uma gentileza recebida.

Já perceberam que, geralmente, essas pessoas são enrrugadas, estão sempre solitárias, mantêm um semblante sisudo e até uma certa melancolia no olhar? Alguma razão para isso tem, não é mesmo?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Por que namorar?


Volto e meia ouço amigos, de ambos os sexos, reclamarem por estarem solteiros ou por não encontrarem a dita cara-metade - se é que ela existe da forma como a gente tanto almeja. Também escuto alguns que se vangloriam de estarem sozinhos, felizes e desencanados com tamanha liberdade.

Pois é, namorar é bom demais, não que ficar sozinho também não seja. Só que são situações diferentes, cada uma com suas idiossincrasias, prós e contras. O certo é que quem é solteiro, por mais resolvido que esteja com isso, anseia em encontrar o sapato velho para o seu pé torto. Já quem está namorando, na primeira crise, pensa logo em como seria sua vida se estivesse solteiro. O ser humano é um insatisfeito convicto!

Conversas desse tipo, bem corriqueiras, me fizeram pensar sobre o que é namorar e o por que de tantos questionamentos, das mais diferentes pessoas, em torno do tema que, por si só, foi feito muito mais para ser vivido do que pensado. Não que eu tenha muita experiência com o tema, mas me considero feliz em meu pleno estado de namoro há pouco mais de um ano.

Como acontece na maioria das vezes, comecei a namorar sem querer e, quando vi, estava mais grudada do que bicho-preguiça ao tronco da árvore. E isso tem sido bom demais! No fundo, namorar é como passar por um teste a cada minuto, é preparação e ensaio para o (con) viver a dois. É também, sobretudo, um constante exercício de tolerância. Com os gostos, hábitos, vontades, defeitos e manias do outro e exige dedicação intensa e sedução diária.

Minha experiência própria me dá ainda segurança para dizer mais, que namorar é também cuidar do outro, compartilhar, apoiar, ouvir, dar colo. É ainda ter sensibilidade extrema, sentir falta por estar longe, aperto no peito, vontade de se livrar o quanto antes dos afazeres só pra estar com quem se quer.

Quem namora conta os minutos e os segundos. Não esquece o dia em que conheceu sua metade da laranja, comemora cada aniversário de relação e está sempre pensando em o que fazer para surpreender o outro. Namorar também é sentir saudade, brigar por coisas bobas, fazer as pazes deliciosamente e planejar. Um cinema, um jantar ou uma viagem juntos, não interessa, todos os momentos são megavalorizados.

O que muda, de pessoa para pessoa, é a disponibilidade para se doar, compartilhar e trocar tantas coisas com o outro. E, claro, essas não são tarefas das mais fáceis. Cada um deve é respeitar seu tempo, desencanar e viver da forma que melhor lhe convém! Afinal, antes só do que mal acompanhado, certo?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mulher invisível


O sumiço deveria ser considerado um direito Universal de todo o ser humano, não acham? Tenho pensado muito nisso e conversado sobre o assunto com uma amiga em especial.

Não falo daquela vontade de sumir que nos arrebata de vez em quando, dependendo de determinadas situações vividas ou até do estresse do momento, mas de um certo descontentamento com algumas rotinas das quais não temos, infelizmente, chance derradeira de nos livrarmos e que acabam por nos atormentar.

Sabe quando algumas ações cotidianas tornam-se verdadeiros estorvos? Quando dá aquela sensação de que não adianta mais brigar por alguma coisa, defender um ponto de vista ou simplesmente dedicar tanto tempo, massa cinzenta e saúde a uma determinada coisa? Pois bem, é nesse exato momento que a vontade de aderir ao sumiço toma conta de mim.

Lembram da Samantha, a indefectível feiticeira do seriado de tevê que encantava a meninada no início dos anos 80? Pois é, ela mexia o nariz e pá, sumia! Realizava o meu sonho em milésimos de segundos, com um simples e certeiro gesto. Geralmente era para ir atrás do marido, esconder-se da mãe ou consertar alguma das travessuras cometidas no período em que tentava se passar por “mulher normal”.

Pois essa tática, para mim, seria perfeita! Alguma coisa no trabalho empacou a ponto de querer largar tudo? Mexida no nariz! A casa está uma bagunça e o seu ânimo zero? Bingo! O trânsito parou e o engarrafamento parece que nunca vai diminuir? Nariz nele!

Sei que, na maioria das vezes, as coisas são bem mais simples do que parecem e saber enfrentar problemas não pode ser um bicho de sete cabeças. Mas, em outras, o sumiço torna-se quase que uma necessidade. Como se estivéssemos afundando no oceano e o sumiço representasse aquela subida à margem em busca de oxigênio.

Infelizmente, estou longe de ter os poderes da Samantha. Mas há horas tenho desejado praticar o sumiço. Não está muito fácil conseguir pôr meu plano em prática, mas sigo tentando!