E se a fuga se faz necessária, nada como um pouco de arte para ajudar a desbloquear a mente. Ontem participei da abertura da SP-ARTE, a Feira Internacional de Arte de SP. Em sua sexta edição, a mostra reúne no Pavilhão da Bienal 80 galerias de arte moderna e contemporânea e se firma, com certeza, como um dos grandes encontros das artes plásticas na América Latina.
No total, 1,5 mil obras espalhadas por estandes e corredores mostram aos visitantes o que vem sendo produzido por criativos renomados e jovens talentos em ascensão. Ciceronada por minha irmã que mora em Sampa e namora um empresário do ramo, soube que a Feira foi inspirada nos grandes eventos internacionais de arte e que hoje já se consolidou como uma referência para colecionadores brasileiros e internacionais.
Para quem anda borocochô como eu, umas tacinhas de champanha de lambuja e muitas novidades coloridas preencheram perfeitamente a minha noite. Nas três horas em que saracoteei pela Bienal, me surpreendi com formas e coloridos inusitados, com a poesia das fotos em PB e com formas de arte muitas vezes impensáveis para aqueles que, como eu, admiram tudo o que pode virar arte por aí. O resultado foi um cartucho de memória cheio de fotos e um alento ao perceber que eu era mais uma ali a respirar a arte direto da fonte.
Por algumas horas, quase esqueci dos reais motivos que me trouxeram até aqui, do sono interrompido, da falta de apetite, dos enjôos e do desânimo que bate vez que outra. Á noite me peguei até sorrindo ao lembrar do meu próprio espanto quando a manicure perguntou do meu estado civil. Por alguns segundos não sabia o que responder e tive de procurar o olhar amoroso da minha irmã para poder respirar fundo e responder: “tô recém solteira”. Pronto, saiu, ufa. Achei que fosse doer mais, mas me dei conta de que não adianta querer nadar contra a maré. Principalmente quando é a própria que trata de nos afastar, como um imã.
A sabedoria popular diz que “nada como o tempo”, certo? Estou apostando nisso e aproveitando todas as possibilidades diferentes que me aparecem para tentar respirar mais profundamente e recuperar o meu ritmo pulmonar. Nesse caso, respirando arte já me pareceu um bom começo. Respirarte!